Justiça de Roraima condena envolvido na Chacina do Cauamé após 25 anos
Após 25 anos, Mocélio Pereira Linhares é condenado a 66 anos de reclusão pela morte de sete jovens em Boa Vista, ocorrida no ano 2000.
O Tribunal do Júri de Boa Vista proferiu, nesta quinta-feira (30), a sentença condenatória contra Mocélio Pereira Linhares, responsabilizando-o pela autoria da denominada "Chacina do Cauamé". O réu recebeu uma pena de 66 anos de prisão pelo assassinato de sete pessoas e pela tentativa de homicídio contra outras duas, crimes registrados originalmente em novembro do ano 2000.
O julgamento ocorreu mais de duas décadas após o episódio violento que chocou a capital roraimense. O Ministério Público Estadual sustentou a acusação, destacando que o réu agiu com crueldade, utilizando armas de fogo e objetos cortantes para executar as vítimas. Segundo a decisão judicial, o crime foi motivado por desavenças entre grupos rivais de bairros e uma insatisfação específica com um dos jovens presentes no local.
As investigações apontaram que o grupo foi surpreendido enquanto estava próximo ao rio Cauamé. As vítimas foram rendidas e obrigadas a se posicionarem no solo antes de serem atacadas. A sentença reconheceu qualificadoras como motivo fútil, emprego de meio cruel e a impossibilidade de defesa dos atingidos, muitos dos quais foram surpreendidos enquanto dormiam.
Entre as vítimas fatais da tragédia estavam Herysson Soares Neves, Edvilson da Silva Lima, José da Costa, Rubens Araújo da Silva, Rudson Araújo da Silva, Tiago Miguel Fonseca Rodrigues e Greyci Anne Lima Sales. O caso tornou-se um marco histórico na crônica policial de Boa Vista, evidenciando a violência urbana que afetava a juventude local na virada do milênio.
A defesa do condenado, composta pelos advogados Clara Magalhães e Gladson Roberto, manifestou publicamente a intenção de recorrer da decisão, argumentando que o veredito dos jurados estaria em desacordo com as provas apresentadas no processo. O réu, que já se encontrava sob custódia do Estado, deverá aguardar o trâmite dos recursos na unidade prisional.
Este desfecho judicial encerra um longo ciclo de espera por respostas por parte das famílias das vítimas. A conclusão do processo reforça a atuação do Poder Judiciário de Roraima na elucidação de crimes de grande repercussão social, reafirmando o compromisso com a justiça e a aplicação da lei penal, independentemente do tempo transcorrido desde a data dos fatos.
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